A história do legítimo Filho da Puta

O que me chamou a atenção para este fascinante assunto foi este tweet do Ubiratan Leal:

Fui ver qual era a real, e reagi com um misto de is this real life? e uma leve descrença, aquela que habitualmente carregamos quando lemos algum artigo na Wikipédia.

Para não repetir o que está escrito no tweet em respeito ao amigo leitor, deixe-me iniciar os trabalhos: Filho da Puta não foi só um cavalo de corrida qualquer. Ele foi o cavalo de corrida do ano de 1815, quando venceu o Saint Leger Stakes, nada mais nada menos que a segunda mais antiga corrida de equinos da Grã-Bretanha, terra de pouca história no esporte. Caso não acredite, pode conferir aqui.

A competição foi fundada em 1776 e é disputada em Doncaster até hoje, só perdendo no quesito tradição para a Doncaster Gold Cup, que começou dez anos antes. Ah, ele também correu na Gold Cup e adivinhem? Ganhou em 1816. A essa altura, os adversários provavelmente pensavam que este cavalo era na verdade um unicórnio, ou talvez um pégaso com asas invisíveis. Irritados, eles resolveram fazer um “trabalho” para o pobre Filho da Puta.

Ele teve uma lesão na perna, o que abreviou sua vitoriosa carreira. Depois disso, porém, as coisas melhoraram. Como não podia mais correr, ele foi aposentado e virou um verdadeiro garanhão, sendo utilizado somente para fins de procriação com as éguas que lhe dariam uma boa prole.

Antes de encerrar sua gloriosa vida, Filho da Puta ainda foi o leading sire da Grã-Bretanha e Irlanda em 1828. Esse prêmio é dado ao cavalo cuja descendência conquistasse mais títulos em determinado ano. Moral da história: os potrinhos eram uns legítimos Filhos das Putas.

Bom, agora que você sabe o background no Filho da Puta não vai se sentir tão incomodado assim quando aquele amigo engraçadão te chamar por esse nome, vai? Na realidade ele está com inveja porque você é um esportista campeão e te considera digno de passar seus genes adiante com diversas fêmeas. Nada mal, hein?