Bom Senso fora dos campos. E dentro dele?

O movimento dos jogadores contra o estapafúrdio calendário do futebol brasileiro é muito, muito válido. O Bom Senso Futebol Clube apresenta propostas racionais que fariam grande diferença na prática do esporte mais amado do país. Entre outras medidas, a diminuição de datas principalmente nos campeonatos estaduais e o alongamento de outras competições como Copa do Brasil e Brasileirão melhoraria o nível técnico dos torneios, pois haveria mais tempo para treinar e uma desculpa a menos a dar quando um jogador é cobrado ou um técnico demitido.

BomSensoFC

Muito bom. Essa movimentação fora de campo é benéfica e ajudaria a, ao menos, tentar equiparar o nível do futebol disputado aqui e o praticado na Europa. Bacana. Mas e dentro de campo?

Assistir a uma partida de futebol é um baita exercício de paciência. Não só pelo sofrível nível técnico dos times, mas também pelas próprias atitudes dos jogadores entre as quatro linhas. Um clima artificial de guerra é criado por algum motivo que desconheço e isso deixa os atletas num estado irreconhecível. Não sei se é a prelação do técnico ou a pressão da torcida. Confunde-se raça com insuportabilidade (Tite teria inveja).

Em muitos jogos, não há sequer uma saída pela lateral marcada que já começa a reclamação para cima do árbitro, do bandeirinha, do juiz atrás do gol… Todo mundo querendo apitar a porra do jogo. A arbitragem brasileira é uma bosta, mas não justifica. Aliás, o momento do tal “bom senso” deveria ser aproveitado para também colocar essa questão na mesa, pois o nível é tão baixo que os dois lados saem esbravejando depois das partidas. Eles deveriam ser profissionalizados, passar por testes físicos e psicológicos, fazer cursos sobre arbitragem, entre outras coisas.

Mas voltando à questão original: é realmente necessário ficar querendo apitar o jogo? No lateral, é reclamação porque foi para um lado ou para o outro. No impedimento, é reclamação porque o bandeirinha é cego ou porque ele marcou. Na falta, é reclamação porque não foi falta ou porque deveria dar cartão. Aí chuta a bola longe. Pega a bola, segura a bola, atrasa o jogo, dá ela para o companheiro que está do lado oposto de onde aconteceu a falta. Por que não simplesmente se concentrar no seu trabalho, que é jogar bola, e deixar que o juiz faça o dele, apitando o jogo? Se ele errar de forma grave, que seja punido, fique algumas rodadas na geladeira, se recicle, assim como o jogador que dá uma voadora no outro e fica suspenso por determinado número de partidas. Simples.

Para a turma do 8 ou 80: não é para o cara ser robô. “Jogo quente” não é desculpa também. Em outros lugares do mundo, principalmente na Europa, também existem “jogos quentes”, mas não se vê esse furdúncio todo que vemos por aqui. Temos Champions League rolando aí, clássicos mundiais e regionais quase todo fim de semana e assistimos apenas a um bom jogo de futebol, não a uma guerra entre jogadores, árbitros, técnicos e torcida.

Aliás, outra coisa que deveria mudar na cultura do futebol brasileiro é a mania de todo zagueiro ou marcador se sentir no direito de reclamar quando algum atacante cai dentro da área. Se ele simulou, que o juiz dê cartão (vamos lá para a preparação dos árbitros). Talvez eles não saibam, mas choques e escorregões também podem acontecer dentro da área. Nada que vá ser pênalti, mas também nada que mereça ser advertido, porque simplesmente acontece. O cara pisa em falso, dá uma trombada, cai. E segue a vida. Aí tem uns valentões que ficam botando o dedo na cara do adversário, mandando ele levantar… Ridículo. Já que tem cartão amarelo para quem tira a camisa, devia ter cartão amarelo para quem aponta o dedo na cara do rival.

Sei que posso parecer um pouco gacibiano com esse texto, mas acho que é algo que precisa mudar para o bem do futebol e, principalmente, do público. Quando alguém é repatriado da Europa e diz “lá não tem isso” só mostra o quanto precisamos avançar também em termos de cultura dentro de campo, de todos os lados. A mudança se faz necessária e urgente, e o momento é propício. Aguardemos.

Sobre burlar sistemas

Nas minhas naveganças internéticas de todos os dias, me deparei com este post do amigo Izzy Nobre sobre o vídeo de três jovens que burlam o sistema do refil de refrigerante no Burger King, que você pode ver abaixo:

Bom, uma rápida passada de olho nos comentários tanto do post como do vídeo em si mostra uma flame war incessante de ambos os lados: os que defendem os jovens e até apoiariam atitudes mais radicais, como depredar a loja de fast-food em questão, e os que os criticam e não veem outra alternativa a não ser o enforcamento em praça pública do grupo.

Eu não sou 8 nem 80 nessa questão. Sou o meio termo, ou seja, o 43: acho que o que os jovens fizeram não é moral nem ético, porém, como eles próprios fazem questão de dizer no vídeo, eles não estão errados de acordo com a letra fria da lei do regulamento do refil. Isso não quer dizer que seja exatamente bacana ter esse tipo de atitude independentemente do regulamento, afinal, poderia haver uma lei que permitisse o roubo por políticos e ninguém acharia isso bacana, apesar de essa mera hipótese estar dentro das linhas da legalidade.

Só para deixar cristalino: eu não estou defendendo os caras. Não é o tipo de coisa que eu ou os caros leitores fariam, porém, quero exercitar aqui os possíveis motivos que talvez tenham levado esse grupo a burlar o sistema do tal refil.

Quero lembrar que estamos no Brasil, país onde companhias aéreas aumentam os preços em 1128% sem nenhum tipo de punição, onde gigantes da tecnologia cobram R$ 4 mil por um console e R$ 2.900 por um celular e onde empresas de telefonia cobram uma tarifa exorbitante (a mais cara do mundo) por um serviço que beira o ridículo. Aliás, você sabia que a Editora Abril inclui uma cláusula de renovação automática das suas assinaturas de revistas? Bem, pois é. Um colega sofreu com isso recentemente e tomou um verdadeiro CALOR para cancelar o negócio.

Em outras palavras, o único que se fode é o consumidor. E isso só faz a idolatria por gente como este russo (mais sobre russos aqui) crescer. Ele simplesmente cansou do banco, que lhe enviou um cartão de crédito não requisitado, e resolveu foder com ele dentro da legalidade: alterou as letras miúdas do contrato e mandou para os caras assinarem, o que eles obviamente fizeram SEM LER. E depois foram colocar o cara na justiça. Como o próprio sujeito diz na matéria: “O sapato está no outro pé agora, né?” E se fosse o contrário?

Veja só – quando a empresa é prejudicada, mesmo quando ela assinou um contrato ou elaborou um regulamento com brechas, ela se sente no direito de ir lá e processar (caso do banco) o sujeito ou reclamar (no caso da gerente do BK) do cara. Quando a seta está apontando na direção deles, o negócio é diferente, mas quando é com a gente, aí pode, aí tudo bem.

É por isso que eu não sinto nenhuma pena, principalmente dessas empresas multimilionárias, que exploram seus funcionários ao limite e dão poucos ou nenhum benefícios para os caras. Te garanto que o BK não teve nenhum prejuízo com a galhofagem de três caras que se aproveitaram do regulamento para pegar mais ou menos 15 litros de refrigerante.

Acredito que foi uma atitude que combinou o fator cansaço mais o fator galhofa pela sacanagem de achar uma brecha no regulamento. Novamente: não é bacana, ético ou moral, mas é legal (que está dentro da lei). O BK que chore à vontade, mas que elaborem com mais atenção o regulamento sobre o refil do refrigerante aguado que eles botam naquelas máquinas. Se subitamente eles tivessem incluído algo que prejudicasse o consumidor lá, duvido que criaria esse furdúncio todo, e um simples “foi mal aí gente” “resolveria” a situação. Mas quando é com eles…

Russos são completamente insanos

Russos são as pessoas mais malucas deste mundo, indiscutivelmente. Seu amigo mais debilóide é uma criança de cinco anos jogando xadrez contra o Kasparov quando comparado ao nível de maluquice de um russo comum.

Em algum ponto da vida, todos já tentaram fazer alguma acrobacia qualquer, seja ela uma estrela ou aquele pulo do Cafu, em que você dá uma cambalhota aérea, e acabaram estatelados no chão. Plantar a bananeira é uma tarefa difícil, mesmo para aqueles que tem o status de dexterity elevados. Porém, russos acham isso tão fácil quanto roubar um copo de vodka de um bêbado, e resolveram adicionar um pouco de dificuldade nas acrobacias.

Observe com atenção (e não tente isso em casa, quer dizer, no topo do seu prédio):

Não é só o alto nível de periculosidade envolvido nos movimentos. Eles têm de fazer isso sem nenhum tipo de proteção, corda ou paraquedas em caso de emergência. Não basta ficar de ponta-cabeça, é preciso ficar de ponta-cabeça a 300+ metros de altura com suaves ventos te FUSTIGANDO impiedosamente.

Tem uns que até aproveitam a bela vista para se exercitar sem nenhum tipo de preocupação aparente com a queda:

Lembrando que os russos são o tipo de povo que instala câmeras de vídeo nos painéis dos carros para registrar brigas de trânsito, suborno de policiais e ter provas na justiça (caso ele não a faça com as próprias mãos), como mostra esta reportagem, que coincidentemente, saiu ontem no Fantástico. Não, não é para registrar meteoritos caindo do céu (mesmo que tenha calhado há algum tempo).

Se você quiser, tem até um documentário sobre russos malucos que não temem qualquer tipo de consequência:

E você aí achando que era o badass da turma né? 🙂

São Paulo é difícil

Hoje só tenho alguns pensamentos para compartilhar. Na última sexta-feira aconteceu uma sequência de fatos que me fez pensar em bastante coisa.

Pela manhã, faço um curso de línguas que, vez ou outra, proporciona aquela atividade em grupo em que você conta algo sobre sua vida. Pois bem, o tema da vez era “onde você estava há 10 anos”. Como de costume, falo com orgulho que sou de Santos, pois amo a cidade, que sempre, sempre será a minha casa, independentemente do lugar em que eu esteja – seja São Paulo ou Zurique. Para minha surpresa, já que estudamos juntos há quase 1 ano, uma das minhas colegas de sala falou que também era de lá. A outra disse que era de São José do Rio Preto.

Mas o mais engraçado não foi isso. Foi o fato de que falamos praticamente as mesmas coisas: a vida é diferente por esses lados. As pessoas vivem correndo. Perde-se um tempo inimaginável. A frieza das pessoas é quase palpável. O pior de tudo é que a maioria dos paulistanos mal percebe que tudo isso ocorre. Andam quase correndo desde pequenos. Estão acostumados a levar pelo menos meia hora para ir a qualquer lugar (até na padaria!). Estão acostumados a atrasar nos compromissos e a ignorar as outras pessoas no metrô, no ônibus, no trem.

Obviamente alguns pensarão que é apenas um mimimi de quem vem de fora, mas elas não foram as duas primeiras pessoas a compartilharem esses sentimentos e não serão as duas últimas. Já encontrei vários colegas de faculdade e de trabalho que notaram basicamente as mesmas coisas. Alguma verdade deve existir nisso aí.

Enfim, mas o dia prosseguiu no trabalho, e, no caminho de volta, voltei a pensar nessa questão. No metrô, vi um sujeito com roupas simples que estava dormindo sentado no banco. Já considero dormir no metrô uma proeza por causa do barulho, mas ele não estava simplesmente encostado com a cabeça na parede. Ele estava todo torto, quase caindo do banco. Metia a cabeça entre as pernas, a mochila longe, quase no meio do vagão. E ele dormindo profundamente. Não estava bêbado, estava dormindo mesmo.

Depois da baldeação, vi uma situação muito semelhante, mas dessa vez com uma mulher arrumada. Na hora me veio alguém que trabalha em escritório de advocacia. Enfim, ela não estava em um estado parecido com o do cara, mas ela também estava dormindo. Sentada no banco duplo, ela estava na parte que dá para o corredor, onde havia um sujeito em pé ao lado. Sonolenta, ela encostava a cabeça na barra de ferro atrás do banco. Como o trem sacolejava, a cabeça dela ia de um lado para outro, e ela quase caía no colo do cara sentado, ou dava com a cabeça na virilha do sujeito em pé. Acredito que o termo usado é “pescar” – depois que ela quase atingia um inocente, acordava por alguns momentos e voltava a dormir, exausta.

Para paulistanos talvez isso seja normal, afinal, essas duas pessoas trabalharam o dia todo e estão cansadas. Porém, para quem não é, isso é extremamente chocante. Pensei na qualidade de vida que essas duas pessoas tinham ao estarem daquela forma. Se bobear iam chegar em casa botar a cara no travesseiro e dormir até o dia seguinte. Desculpem, mas isso não é vida. Se a sua vida gira em torno exclusivamente do trabalho, de fazer turnos de 10, 12 horas por dia, acho que você está no emprego errado. Vejo que muitas pessoas ficam pilhadas com o trabalho e esquecem que também têm família, amigos, filhos. Têm que aproveitar os momentos de lazer. A vida não é trabalho.

Não sou ingênuo de achar que o mercado perdoa quem não se sujeita a esse tipo de coisa, mas acho que tudo tem limite. Muitos falam que na capital se paga mais, mas esquecem que tudo é mais caro e que a qualidade de vida costuma ser apenas razoável. Tudo tem seu preço. A metrópole não seria ela se não cobrasse sua taxa. E esse imposto é a qualidade de vida. Como eu disse, demora-se pelo menos meia hora para pensar em chegar a algum lugar, perto ou longe. Se você estiver sem sorte, pode botar 1h na conta. A correria de todo dia estressa, e o que tem de gente com problema de peso, pressão e coração não está escrito. Muito vai da reação de cada um, mas seria ingenuidade achar que a cidade não contribui em nada para os problemas dos cidadãos. É para por na balança e ponderar o que vale a pena e o que não vale.

Na mesma sexta-feira, vi uma pessoa sendo socorrida no chão do metrô. Pela tentativa de reanimação, acho que foi um ataque cardíaco. Vi a ambulância do Samu chegar, mas não sei se a pessoa sobreviveu. É para se pensar. É uma cidade que vai matando todo dia, vai te minando por dentro. São Paulo é uma cidade difícil, mas é onde estou hoje. Sou agradecido por tudo que ela me deu e me dá, mas não posso vendar meus olhos e achar que é o Paraíso. Longe disso.

A história da ‘Amora’ de Renato Teixeira

Renato Teixeira escrevia jingles nos joelhos, de última hora. “Ele tem histórias magníficas de que o cliente ia chegar em cinco minutos e ele não tinha feito o jingle. Aí ele entrava em uma salinha e em três minutos escrevia. Vinha, mostrava para o cara e o cara chorava. Ninguém acreditava que ele conseguia fazer essas coisas”, conta o filho de Renato, Chico Teixeira.

Algumas composições eram tão boas que Renato deixava de lado para usar em seus shows com o Grupo Água e brincava com os colegas: “Não vou dar para a empresa não, muda que isso aí é meu. Isso é bonito, nós vamos cantar no show”. Uma das músicas mais famosas de Renato é fruto de um jingle. Amora foi feita inicialmente para uma campanha publicitária da fábrica de sorvetes Kibon, mas Renato gostou do resultado e preferiu fazer outro jingle para a empresa.

Depois da curva da estrada
Tem um pé de araçá
Sinto vir água nos olhos
Toda vez que passo lá

Sinto o coração flechado
Cercado de solidão
Penso que deve ser doce
A fruta do coração

Vou contar para o seu pai
Que você namora
Vou contar pra sua mãe
Que você me ignora

Vou pintar a minha boca
Do vermelho da amora
Que nasce lá no quintal
Da casa onde você mora

A música Amora fez sucesso em novelas da Rede Globo. Fez parte, por exemplo, da trilha sonora da segunda versão de Cabocla, um dos grandes sucessos de audiência do horário das 18 horas, ficando atrás apenas de Alma Gêmea (julho de 2005 a março de 2006) e Chocolate com Pimenta (setembro de 2003 a maio de 2004). Amora também estava entre as canções da primeira versão de Cabocla, exibida em 1979.

“A trilha sonora nacional da novela traz músicas sertanejas e modas de viola, (…) estão no repertório Rolando Boldrin, Teodoro e Sampaio, Renato Teixeira, Sérgio Reis, além de Caetano Veloso, Flávio Venturini, Ivan Lins e Milton Nascimento”.

Está aí uma obra-prima que nasceu graças a um jingle! Não tem como ouvir e não cantar junto, não é mesmo? Eu cantei, cante você também!

Recomendação

Hoje resolvi fazer uma recomendação.

Uso muito o Pocket, um serviço em que você “guarda” o texto para ler futuramente – uma espécie de reading list para computadores e aparelhos móveis -, e outro dia li um artigo muito interessante no site da Veja que estava guardado lá: “Devo educar meus filhos para serem éticos?“, de Gustavo Ioschpe.

A reprodução de um parágrafo do texto que se aplica a muitas e muitas outras situações:

“Até hoje chego pontualmente aos meus compromissos, e na maioria das vezes fico esperando por interlocutores que se atrasam e nem se desculpam (quinze minutos parece constituir uma “margem de erro” tolerável). Até hoje acredito quando um prestador de serviço promete entregar o trabalho em uma data, apenas para ficar exasperado pelo seu atraso, “veja bem”, “imprevistos acontecem” etc. Fico revoltado sempre que pego um táxi em cidade que não conheço e o motorista tenta me roubar. Detesto os colegas de trabalho que fazem corpo mole, que arranjam um jeitinho de fazer menos que o devido. Tenho cada vez menos visitado escolas públicas, porque não suporto mais ver professores e diretores tratando alunos como estorvos que devem ser controlados. Isso sem falar nas quase úlceras que me surgem ao ler o noticiário e saber que entre os governantes viceja um grupo de imorais que roubam com criatividade e desfaçatez.”

Acho que não dá para descrever o nosso país melhor que isso. O errado virou o normal, e o certo é que se sente deslocado. Mas, como é dito no texto, só apostando na educação dos nosso filhos para que, ao menos, tenhamos esperança de um Brasil melhor em algum ponto do futuro.

GTA V aos olhos de um leigo

Antes que eu seja condenado ao calabouço da indignação: sim, eu sei o que é GTA. Mas nunca havia jogado. É tão grave quanto chamar Link de Zelda ou não saber quem é o Cloud ou Squall. Meu único contato anterior com o mundo GTAsístico se deu na casa de um colega de colégio quando o videogame mais avançado ainda era o PlayStation 2. Tinha carros e uma música tocava no rádio, o que, somado ao total desrespeito pelas leis de trânsito e pelos pedestres, tornava a viagem bem divertida.

A medida que se aproximava a data do lançamento, eu compartilhava do hype que atingiu boa parte da comunidade gamer. Afinal, era o lançamento de jogo mais aguardado do ano, mais até que The Last of Us. Como descrevi neste post, procurei nos sites a pré-venda do jogo, mas ao ver as horríveis e ultrajantes datas de entrega, resolvi ir na loja física e comprar o jogo.

Oooh!

Gráficos

Tive de apagar coisas do PS3, afinal o jogo exige 8 GB para a instalação, e o meu é um dos primeiros modelos, aquele grandão de 40 GB. Durante o tutorial, minha primeira impressão foi: “que gráfico sacana é esse?”. Em um segundo pensamento, calculei que havia ficado mal-acostumado com The Last of Us, que, convenhamos, é realista até demais.

Porém, observe este vídeo:

Brincou, hein?

Carros

Com a liberdade adquirida após o começo do game, a primeira coisa que fiz foi pilotar um carro, que tem prós e contras. O melhor ponto positivo é que 80% dos carros de Los Santos são fodões. Ferraris, Dodges, Lamborghinis, conversíveis, SUVs, motocas. Acelerar uma Ferrari numa retona livre com a música de fundo dá uma sensação ótima. O ponto negativo é a câmera. Dependendo do carro, você não enxerga muito bem o que está na frente, e acaba batendo com tudo na traseira de um NPC que, sem motivo algum, para no semáforo verde ou vira para o seu lado sem nenhuma cerimônia e acaba te jogando longe. Você também pode andar de bicicleta ou de moto, mas os controles são sensíveis demais, principalmente depois de andar com os carros ou caminhões. A variedade de veículos é outro ponto positivo: com 30% do jogo completo já pilotei até submarino e guindaste de porto. Surreal!

Voltando aos carros: um dos problemas é que não importa o quanto você bata ou a velocidade em que você ande, jamais vai aparecer a polícia para te encher o saco. Obviamente, caso você folgue em frente a uma delegacia será perseguido, mas não é o caso nas CNTP do jogo. A polícia geralmente só aparece nas missões oficiais ou quando você mata alguém deliberadamente, não do nada quando você só está curtindo a estrada a 300 km/h. Talvez eu ainda não tenha tocado caos o suficiente em Los Santos para que eu seja caçado impiedosamente pelos defensores da moral e dos bons costumes, mas também não sei se era assim nos outros jogos da série.

Grana

Algo que me agradou muito foi a questão do dinheiro – com algumas missões você consegue tranquilamente sobreviver sem maiores percalços, fazendo aulas de tênis, pagando o psicólogo (sacana do caralho), indo ao cinema, comprando roupas, mudando o corte de cabelo ou fazendo seja-lá-o-que-você-queira. Uma das missões principais te dá uma grana lascada que dá para comprar uma propriedade e ter um lucro semanal razoável, te deixando sem preocupações sérias. Claro que se você quiser tunar seu carro vai ter que desembolsar um dinheiro, mas isso é luxo e não é necessário para o andamento de GTA V.

Michael, Franklin e Trevor

O jogo traz a realidade de três personagens completamente diferentes: Michael, um cara de meia-idade infeliz que sofre com uma família tosca; Franklin, um negro do subúrbio que lida com parentes idiotas e drogados e tenta sair daquele lugar; e Trevor, um doente completo que mata pessoas sem a menor cerimônia. Isso é bom, dá um dinamismo ao jogo, que não fica monótono em nenhum momento. Minha única ressalva é com Trevor. Sinceramente, você ser obrigado a torturar uma pessoa é um demais e cruza qualquer limite de bom senso. É muito agoniante arrancar os dentes de alguém, ou bater com uma chave inglesa gigante no joelho do cara. Não que o jogo seja formado por anjos, mas há uma diferença brutal entre roubar um carro e torturar uma pessoa. É um ponto que não gostei nada no jogo.

O mais engraçado, para mim, é Franklin. O jeitão de falar é bem estereotipado, cheio de gírias, mas as discussões que ele tem com os amigos são divertidas. Michael já é um personagem mais sacana, que quer te fazer sentir dó dele porque a vida lhe deu dinheiro e também dois filhos imprestáveis e uma mulher traidora. São três personagens distintos, mas que têm pontos em comum (não quero spoilear tudo, logo, jogue aí).

Parecer: o preço é salgado (R$ 200), mas vale a pena. Diversão garantida por muito tempo, o jogo é extenso e não fica repetitivo – estou jogando bastante há uma semana e só estou com 30%, fora as missões paralelas. A variedade, tanto dos personagens quanto de coisas para se fazer, é boa e dá dinamismo ao game.

PS: Atentem para este vídeo compartilhado pelo amigo Rodrigo Trindade: