Recomendação

Assim como fiz neste post, gostaria de fazer mais uma recomendação. Desta vez em relação ao Vale Cultura do Ministério da Cultura e à impossibilidade de comprar jogos de videogame com o cartão. Falar que videogame não é cultura é de uma ignorância tremenda, e eis o argumento completo que o pessoal do Jovem Nerd, com o qual concordo absurda e brutalmente (a partir dos 7 minutos):

Como vocês viram, existem jogos e jogos, assim como existem revistas e revistas, meios de comunicação e meios de comunicação… Muita gente, assim como eu e o amigo Alexandre Ottoni, aprendeu inglês jogando videogame. Sem falar nos enredos, estratégias empregadas para atingir determinado objetivo ou mesmo saber lidar recursos que o jogo te dá. Enfim, aparentemente isso não te enriquece cultural e intelectualmente. Bom é ficar vegetando na frente da televisão…

“Quando ela dá uma declaração ‘de jeito nenhum’, ela está dando uma declaração implícita da ignorância e obsolescência que ela é.”

Zerou o argumento. Marta Suplicy, faça um favor a nós e a você, dê um /quit e vá fazer outra coisa porque você tá passando vergonha. 😉

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GTA V aos olhos de um leigo

Antes que eu seja condenado ao calabouço da indignação: sim, eu sei o que é GTA. Mas nunca havia jogado. É tão grave quanto chamar Link de Zelda ou não saber quem é o Cloud ou Squall. Meu único contato anterior com o mundo GTAsístico se deu na casa de um colega de colégio quando o videogame mais avançado ainda era o PlayStation 2. Tinha carros e uma música tocava no rádio, o que, somado ao total desrespeito pelas leis de trânsito e pelos pedestres, tornava a viagem bem divertida.

A medida que se aproximava a data do lançamento, eu compartilhava do hype que atingiu boa parte da comunidade gamer. Afinal, era o lançamento de jogo mais aguardado do ano, mais até que The Last of Us. Como descrevi neste post, procurei nos sites a pré-venda do jogo, mas ao ver as horríveis e ultrajantes datas de entrega, resolvi ir na loja física e comprar o jogo.

Oooh!

Gráficos

Tive de apagar coisas do PS3, afinal o jogo exige 8 GB para a instalação, e o meu é um dos primeiros modelos, aquele grandão de 40 GB. Durante o tutorial, minha primeira impressão foi: “que gráfico sacana é esse?”. Em um segundo pensamento, calculei que havia ficado mal-acostumado com The Last of Us, que, convenhamos, é realista até demais.

Porém, observe este vídeo:

Brincou, hein?

Carros

Com a liberdade adquirida após o começo do game, a primeira coisa que fiz foi pilotar um carro, que tem prós e contras. O melhor ponto positivo é que 80% dos carros de Los Santos são fodões. Ferraris, Dodges, Lamborghinis, conversíveis, SUVs, motocas. Acelerar uma Ferrari numa retona livre com a música de fundo dá uma sensação ótima. O ponto negativo é a câmera. Dependendo do carro, você não enxerga muito bem o que está na frente, e acaba batendo com tudo na traseira de um NPC que, sem motivo algum, para no semáforo verde ou vira para o seu lado sem nenhuma cerimônia e acaba te jogando longe. Você também pode andar de bicicleta ou de moto, mas os controles são sensíveis demais, principalmente depois de andar com os carros ou caminhões. A variedade de veículos é outro ponto positivo: com 30% do jogo completo já pilotei até submarino e guindaste de porto. Surreal!

Voltando aos carros: um dos problemas é que não importa o quanto você bata ou a velocidade em que você ande, jamais vai aparecer a polícia para te encher o saco. Obviamente, caso você folgue em frente a uma delegacia será perseguido, mas não é o caso nas CNTP do jogo. A polícia geralmente só aparece nas missões oficiais ou quando você mata alguém deliberadamente, não do nada quando você só está curtindo a estrada a 300 km/h. Talvez eu ainda não tenha tocado caos o suficiente em Los Santos para que eu seja caçado impiedosamente pelos defensores da moral e dos bons costumes, mas também não sei se era assim nos outros jogos da série.

Grana

Algo que me agradou muito foi a questão do dinheiro – com algumas missões você consegue tranquilamente sobreviver sem maiores percalços, fazendo aulas de tênis, pagando o psicólogo (sacana do caralho), indo ao cinema, comprando roupas, mudando o corte de cabelo ou fazendo seja-lá-o-que-você-queira. Uma das missões principais te dá uma grana lascada que dá para comprar uma propriedade e ter um lucro semanal razoável, te deixando sem preocupações sérias. Claro que se você quiser tunar seu carro vai ter que desembolsar um dinheiro, mas isso é luxo e não é necessário para o andamento de GTA V.

Michael, Franklin e Trevor

O jogo traz a realidade de três personagens completamente diferentes: Michael, um cara de meia-idade infeliz que sofre com uma família tosca; Franklin, um negro do subúrbio que lida com parentes idiotas e drogados e tenta sair daquele lugar; e Trevor, um doente completo que mata pessoas sem a menor cerimônia. Isso é bom, dá um dinamismo ao jogo, que não fica monótono em nenhum momento. Minha única ressalva é com Trevor. Sinceramente, você ser obrigado a torturar uma pessoa é um demais e cruza qualquer limite de bom senso. É muito agoniante arrancar os dentes de alguém, ou bater com uma chave inglesa gigante no joelho do cara. Não que o jogo seja formado por anjos, mas há uma diferença brutal entre roubar um carro e torturar uma pessoa. É um ponto que não gostei nada no jogo.

O mais engraçado, para mim, é Franklin. O jeitão de falar é bem estereotipado, cheio de gírias, mas as discussões que ele tem com os amigos são divertidas. Michael já é um personagem mais sacana, que quer te fazer sentir dó dele porque a vida lhe deu dinheiro e também dois filhos imprestáveis e uma mulher traidora. São três personagens distintos, mas que têm pontos em comum (não quero spoilear tudo, logo, jogue aí).

Parecer: o preço é salgado (R$ 200), mas vale a pena. Diversão garantida por muito tempo, o jogo é extenso e não fica repetitivo – estou jogando bastante há uma semana e só estou com 30%, fora as missões paralelas. A variedade, tanto dos personagens quanto de coisas para se fazer, é boa e dá dinamismo ao game.

PS: Atentem para este vídeo compartilhado pelo amigo Rodrigo Trindade:

Pré-vendas no Brasil?

Um dos jogos mais aguardados dos últimos tempos, Grand Theft Auto V (GTA V) começou a ser vendido hoje em diversas partes do mundo, como Estados Unidos e Europa. No Brasil, o jogo será comercializado oficialmente a partir de quinta-feira, dia 19.

Como tenho interesse, fui atrás de algumas lojas online para ver quanto sai e, o mais importante, quando chega. Minha primeira reação foi uma decepção tremenda ao ver os seguintes prazos de entrega para o mesmo CEP em São Paulo:

O único prazo animador foi o da Saraiva, que dá dois dias úteis para a chegada do pacote:

gta-3

Enquanto isso, dei uma rápida olhada em fóruns gringos e adivinhem…

Exatamente. Os caras estão recebendo no dia do lançamento, sem nenhum tipo de problema. Como você pode ver, o sujeito britânico até trackeia o carro que está com a encomenda dele e dá o tempo estimado para o cara chegar lá com o pacote. É tão surreal que eu mal consigo acreditar.

Mas enfim, eu tentei pensar em alguma desculpa para que a entrega aqui fosse tão lenta e demorada e não consegui achar nada plausível. Talvez a possível greve dos Correios? Ou eles colocam esse prazo longo para evitar chiadeiras dos consumidores se o jogo não chegar em um ou dois dias? Por pura incompetência mesmo?

Se for a segunda opção, me expliquem: qual é o sentido de comprar na pré-venda? Ganhar um pôster? Sério mesmo? Achei que a vantagem era ter o jogo sem precisar se deslocar até a loja no dia do lançamento.

Esse sistema está todo furado ou eu não estou enxergando algo muito óbvio aqui?

Review: The Last of Us

Mesmo com alguns meses de atraso, sinto que devo imergir no mundo das resenhas de games com um grande jogo: The Last of Us. Aqui vai (não contém spoilers, just in case):

Exclusivo de PlayStation 3, o The Last of Us é um game pós-apocalíptico lançado em 14 de junho de 2013 que retrata a vida após uma epidemia generalizada de um fungo chamado Cordyceps, que se apropria do corpo de uma pessoa e a transforma em uma espécie de zumbi. Existem alguns tipos de infectados: os runners (estágio inicial), os stalkers (intermediário), clickers (avançado) e bloaters (totalmente transformados), que têm só um objetivo no game: te perseguir raivosamente para te matar.

The Last of Us

Cuidado, Joel!

Quando peguei para jogar pela primeira vez, me lembrei instantaneamente de Eu Sou a Lenda, filme com Will Smith, mas com o Joel e com a Ellie, personagens do jogo. Os cenários são extremamente parecidos: carros abandonados, lojas destruídas, mato crescendo por todo o lado, algumas armadilhas e infectados aguardando ansiosamente pela sua distração em cantos escuros. O jogo tem mais semelhanças com o filme, mas pararei por aí para não dar spoilers.

Também lembrei de Dino Crisis, que é um jogo com dinossauros. Você tem que resolver os puzzles para sair do espaço-tempo no qual você está inserido. Durante o jogo, você ganha pontos, compra armas, recolhe itens e claro, estraçalha dinossauros com sua shotgun. Veja aí no vídeo:

Porém, The Last of Us é superior. Claro que os gráficos são melhores e a jogabilidade é infinitamente mais refinada, mas o que mais me chamou a atenção é como a história prende sua atenção. Você joga com Joel a maior parte do tempo, e sente que ele tem certas lembranças da vida antes da epidemia, mas não mostra por medo ou para não fraquejar. A história em si é bem amarrada; nenhum personagem que cruza seu caminho fica solto sem destino. Você sabe o que acontece com todos eles ao final do game.

A jogabilidade também se destaca. Confesso que sou ruim demais para mirar em adversários com o controle do videogame, mas em The Last of Us não passei nenhum sufoco, nem mesmo no modo Sobrevivente, quando o buraco é bem mais embaixo. Mas acho que o melhor mesmo é como você se sente quando está em uma área desconhecida. Com medo de algum bicho te surpreender, você anda sempre ligado e nunca dá mole correndo por aí feito um abestalhado. Em diversos momentos fiquei agachado em uma área limpa de inimigos para não correr o risco de morrer. É um estado de tensão que poucos games conseguem criar com tamanho sucesso.

Existem também alguns itens colecionáveis para serem coletados durante a jornada. Acredito que isso foi feito também para satisfazer os trophy hunters e dar a eles o gostinho da conquista, já que nenhum dos itens (tirando as cartas e bilhetes) têm alguma utilidade durante o enredo.

Uma crítica que tenho, porém, é em relação a algumas partes do jogo em que você precisa de balas para matar algum inimigo e tudo o que acha são… garrafas e tijolos para somente atordoar os adversários. Por mais que eu compreenda que é um mundo pós-apocalíptico, existem diversas possibilidades de introduzir a munição sem parecer forçado, já que você não derrota ninguém jogando garrafas.

Outra coisa que ficou um pouco a desejar na minha opinião foram as legendas em português. O áudio está excelente – a dublagem foi feita por profissionais (você escutará vozes de filmes) – mas a legenda simplesmente não acompanha o nível da dublagem. Alguns erros bobos acabam prejudicando o conteúdo em português, o que não acontece no inglês.

O modo online é bacana, porém não é o meu preferido. Nele você pode jogar como bandido ou alguém de uma colônia, mas é basicamente o mesmo espírito do online de Uncharted (que também é da Naughty Dog): matar o time adversário. Para quem gosta, é um prato cheio, porque você tem que jogar bastante para atingir alguns objetivos.

Enfim, é um bom jogo, mas não é o jogo da minha vida, como diz o respeitado amigo Jovem Nerd. Algumas falhas aqui e ali, mas nada que prejudique muito a avaliação dele: dou 10 de 10 barquinhos de papel para ele.

Confira o trailer:

E você, o que achou?