Sobre burlar sistemas

Nas minhas naveganças internéticas de todos os dias, me deparei com este post do amigo Izzy Nobre sobre o vídeo de três jovens que burlam o sistema do refil de refrigerante no Burger King, que você pode ver abaixo:

Bom, uma rápida passada de olho nos comentários tanto do post como do vídeo em si mostra uma flame war incessante de ambos os lados: os que defendem os jovens e até apoiariam atitudes mais radicais, como depredar a loja de fast-food em questão, e os que os criticam e não veem outra alternativa a não ser o enforcamento em praça pública do grupo.

Eu não sou 8 nem 80 nessa questão. Sou o meio termo, ou seja, o 43: acho que o que os jovens fizeram não é moral nem ético, porém, como eles próprios fazem questão de dizer no vídeo, eles não estão errados de acordo com a letra fria da lei do regulamento do refil. Isso não quer dizer que seja exatamente bacana ter esse tipo de atitude independentemente do regulamento, afinal, poderia haver uma lei que permitisse o roubo por políticos e ninguém acharia isso bacana, apesar de essa mera hipótese estar dentro das linhas da legalidade.

Só para deixar cristalino: eu não estou defendendo os caras. Não é o tipo de coisa que eu ou os caros leitores fariam, porém, quero exercitar aqui os possíveis motivos que talvez tenham levado esse grupo a burlar o sistema do tal refil.

Quero lembrar que estamos no Brasil, país onde companhias aéreas aumentam os preços em 1128% sem nenhum tipo de punição, onde gigantes da tecnologia cobram R$ 4 mil por um console e R$ 2.900 por um celular e onde empresas de telefonia cobram uma tarifa exorbitante (a mais cara do mundo) por um serviço que beira o ridículo. Aliás, você sabia que a Editora Abril inclui uma cláusula de renovação automática das suas assinaturas de revistas? Bem, pois é. Um colega sofreu com isso recentemente e tomou um verdadeiro CALOR para cancelar o negócio.

Em outras palavras, o único que se fode é o consumidor. E isso só faz a idolatria por gente como este russo (mais sobre russos aqui) crescer. Ele simplesmente cansou do banco, que lhe enviou um cartão de crédito não requisitado, e resolveu foder com ele dentro da legalidade: alterou as letras miúdas do contrato e mandou para os caras assinarem, o que eles obviamente fizeram SEM LER. E depois foram colocar o cara na justiça. Como o próprio sujeito diz na matéria: “O sapato está no outro pé agora, né?” E se fosse o contrário?

Veja só – quando a empresa é prejudicada, mesmo quando ela assinou um contrato ou elaborou um regulamento com brechas, ela se sente no direito de ir lá e processar (caso do banco) o sujeito ou reclamar (no caso da gerente do BK) do cara. Quando a seta está apontando na direção deles, o negócio é diferente, mas quando é com a gente, aí pode, aí tudo bem.

É por isso que eu não sinto nenhuma pena, principalmente dessas empresas multimilionárias, que exploram seus funcionários ao limite e dão poucos ou nenhum benefícios para os caras. Te garanto que o BK não teve nenhum prejuízo com a galhofagem de três caras que se aproveitaram do regulamento para pegar mais ou menos 15 litros de refrigerante.

Acredito que foi uma atitude que combinou o fator cansaço mais o fator galhofa pela sacanagem de achar uma brecha no regulamento. Novamente: não é bacana, ético ou moral, mas é legal (que está dentro da lei). O BK que chore à vontade, mas que elaborem com mais atenção o regulamento sobre o refil do refrigerante aguado que eles botam naquelas máquinas. Se subitamente eles tivessem incluído algo que prejudicasse o consumidor lá, duvido que criaria esse furdúncio todo, e um simples “foi mal aí gente” “resolveria” a situação. Mas quando é com eles…

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