GTA V aos olhos de um leigo

Antes que eu seja condenado ao calabouço da indignação: sim, eu sei o que é GTA. Mas nunca havia jogado. É tão grave quanto chamar Link de Zelda ou não saber quem é o Cloud ou Squall. Meu único contato anterior com o mundo GTAsístico se deu na casa de um colega de colégio quando o videogame mais avançado ainda era o PlayStation 2. Tinha carros e uma música tocava no rádio, o que, somado ao total desrespeito pelas leis de trânsito e pelos pedestres, tornava a viagem bem divertida.

A medida que se aproximava a data do lançamento, eu compartilhava do hype que atingiu boa parte da comunidade gamer. Afinal, era o lançamento de jogo mais aguardado do ano, mais até que The Last of Us. Como descrevi neste post, procurei nos sites a pré-venda do jogo, mas ao ver as horríveis e ultrajantes datas de entrega, resolvi ir na loja física e comprar o jogo.

Oooh!

Gráficos

Tive de apagar coisas do PS3, afinal o jogo exige 8 GB para a instalação, e o meu é um dos primeiros modelos, aquele grandão de 40 GB. Durante o tutorial, minha primeira impressão foi: “que gráfico sacana é esse?”. Em um segundo pensamento, calculei que havia ficado mal-acostumado com The Last of Us, que, convenhamos, é realista até demais.

Porém, observe este vídeo:

Brincou, hein?

Carros

Com a liberdade adquirida após o começo do game, a primeira coisa que fiz foi pilotar um carro, que tem prós e contras. O melhor ponto positivo é que 80% dos carros de Los Santos são fodões. Ferraris, Dodges, Lamborghinis, conversíveis, SUVs, motocas. Acelerar uma Ferrari numa retona livre com a música de fundo dá uma sensação ótima. O ponto negativo é a câmera. Dependendo do carro, você não enxerga muito bem o que está na frente, e acaba batendo com tudo na traseira de um NPC que, sem motivo algum, para no semáforo verde ou vira para o seu lado sem nenhuma cerimônia e acaba te jogando longe. Você também pode andar de bicicleta ou de moto, mas os controles são sensíveis demais, principalmente depois de andar com os carros ou caminhões. A variedade de veículos é outro ponto positivo: com 30% do jogo completo já pilotei até submarino e guindaste de porto. Surreal!

Voltando aos carros: um dos problemas é que não importa o quanto você bata ou a velocidade em que você ande, jamais vai aparecer a polícia para te encher o saco. Obviamente, caso você folgue em frente a uma delegacia será perseguido, mas não é o caso nas CNTP do jogo. A polícia geralmente só aparece nas missões oficiais ou quando você mata alguém deliberadamente, não do nada quando você só está curtindo a estrada a 300 km/h. Talvez eu ainda não tenha tocado caos o suficiente em Los Santos para que eu seja caçado impiedosamente pelos defensores da moral e dos bons costumes, mas também não sei se era assim nos outros jogos da série.

Grana

Algo que me agradou muito foi a questão do dinheiro – com algumas missões você consegue tranquilamente sobreviver sem maiores percalços, fazendo aulas de tênis, pagando o psicólogo (sacana do caralho), indo ao cinema, comprando roupas, mudando o corte de cabelo ou fazendo seja-lá-o-que-você-queira. Uma das missões principais te dá uma grana lascada que dá para comprar uma propriedade e ter um lucro semanal razoável, te deixando sem preocupações sérias. Claro que se você quiser tunar seu carro vai ter que desembolsar um dinheiro, mas isso é luxo e não é necessário para o andamento de GTA V.

Michael, Franklin e Trevor

O jogo traz a realidade de três personagens completamente diferentes: Michael, um cara de meia-idade infeliz que sofre com uma família tosca; Franklin, um negro do subúrbio que lida com parentes idiotas e drogados e tenta sair daquele lugar; e Trevor, um doente completo que mata pessoas sem a menor cerimônia. Isso é bom, dá um dinamismo ao jogo, que não fica monótono em nenhum momento. Minha única ressalva é com Trevor. Sinceramente, você ser obrigado a torturar uma pessoa é um demais e cruza qualquer limite de bom senso. É muito agoniante arrancar os dentes de alguém, ou bater com uma chave inglesa gigante no joelho do cara. Não que o jogo seja formado por anjos, mas há uma diferença brutal entre roubar um carro e torturar uma pessoa. É um ponto que não gostei nada no jogo.

O mais engraçado, para mim, é Franklin. O jeitão de falar é bem estereotipado, cheio de gírias, mas as discussões que ele tem com os amigos são divertidas. Michael já é um personagem mais sacana, que quer te fazer sentir dó dele porque a vida lhe deu dinheiro e também dois filhos imprestáveis e uma mulher traidora. São três personagens distintos, mas que têm pontos em comum (não quero spoilear tudo, logo, jogue aí).

Parecer: o preço é salgado (R$ 200), mas vale a pena. Diversão garantida por muito tempo, o jogo é extenso e não fica repetitivo – estou jogando bastante há uma semana e só estou com 30%, fora as missões paralelas. A variedade, tanto dos personagens quanto de coisas para se fazer, é boa e dá dinamismo ao game.

PS: Atentem para este vídeo compartilhado pelo amigo Rodrigo Trindade:

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