Piano, verbo transitivo direto

Piano, verbo transitivo direto. Não, meu caro leitor, não te confundas com o substantivo piano, usado para designar o instrumento musical com 88 teclas, feito com cordas percutidas por martelos revestidos de feltro. Piano é a palavra mais doce, mais afetuosa e delicada para expressar o sentimento mais belo que existe.

Self Portrait #1 by Renoir.jpgSe alguém olhar nos teus olhos e disser: ‘Piano’, não estranhes. Sinta-te feliz e usufruas o momento, como se fosse o mais importante de tua vida. Não é todo dia que te dirão ‘piano’, por isso, quando o fizerem: deleita-te. Há muito tempo não me dizem palavra tão doce, tão afetuosa e agradável aos ouvidos e ao espírito. Não me queixo, nem lamento. Apenas nobres de alma conseguem usar a palavra em seu significado mais puro.

A lenda é tão antiga e há várias versões, mas o que dizem é que a expressão era usada por um senhor de um povoado distante. Senhor, aliás, bastante inteligente, como poucos se viu. Havia quem desejasse seu saber. Tentaram roubar-lhe a casa, sequestrar os filhos, porém como a inteligência não é algo que se possa tirar, todas as tentativas foram frustradas. Era um físico e, como físico, era racional. Vivia a pensar. Vivia a ensinar. Vivia a aprender.

Aprendeu que afetos devem ser expressados e encontrou a sua maneira de fazê-lo. ‘Eu te amo’ era muito comum, usual, banal. Estava na boca de todos, estava em línguas estranhas, era dita em povos distantes, em povos desconhecidos. Além disso, ele tinha medo, talvez vergonha de falar ‘eu te amo’. Encontrou palavra melhor, palavra que só ele conhecia o valor, palavra que para ele tinha um significado muito maior e mais intenso do que o usual ‘eu te amo’.

Quando já velhinho, com os cabelos grisalhos e os netos crescidos, o físico estava em seu leito de morte. Os entes queridos tentaram ajudá-lo de toda a forma, chamaram o padre, o curandeiro, qualquer um que pudesse contribuir. Quando se viu, era tarde, o último sopro de vida levou o velhinho embora. O ‘eu te amo’ ficou entalado na garganta de quem tentava salvar o senhor do sono eterno. Naquele momento ficou o desejo e a vontade de gritar ‘piano’.

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