GTA V aos olhos de um leigo

Antes que eu seja condenado ao calabouço da indignação: sim, eu sei o que é GTA. Mas nunca havia jogado. É tão grave quanto chamar Link de Zelda ou não saber quem é o Cloud ou Squall. Meu único contato anterior com o mundo GTAsístico se deu na casa de um colega de colégio quando o videogame mais avançado ainda era o PlayStation 2. Tinha carros e uma música tocava no rádio, o que, somado ao total desrespeito pelas leis de trânsito e pelos pedestres, tornava a viagem bem divertida.

A medida que se aproximava a data do lançamento, eu compartilhava do hype que atingiu boa parte da comunidade gamer. Afinal, era o lançamento de jogo mais aguardado do ano, mais até que The Last of Us. Como descrevi neste post, procurei nos sites a pré-venda do jogo, mas ao ver as horríveis e ultrajantes datas de entrega, resolvi ir na loja física e comprar o jogo.

Oooh!

Gráficos

Tive de apagar coisas do PS3, afinal o jogo exige 8 GB para a instalação, e o meu é um dos primeiros modelos, aquele grandão de 40 GB. Durante o tutorial, minha primeira impressão foi: “que gráfico sacana é esse?”. Em um segundo pensamento, calculei que havia ficado mal-acostumado com The Last of Us, que, convenhamos, é realista até demais.

Porém, observe este vídeo:

Brincou, hein?

Carros

Com a liberdade adquirida após o começo do game, a primeira coisa que fiz foi pilotar um carro, que tem prós e contras. O melhor ponto positivo é que 80% dos carros de Los Santos são fodões. Ferraris, Dodges, Lamborghinis, conversíveis, SUVs, motocas. Acelerar uma Ferrari numa retona livre com a música de fundo dá uma sensação ótima. O ponto negativo é a câmera. Dependendo do carro, você não enxerga muito bem o que está na frente, e acaba batendo com tudo na traseira de um NPC que, sem motivo algum, para no semáforo verde ou vira para o seu lado sem nenhuma cerimônia e acaba te jogando longe. Você também pode andar de bicicleta ou de moto, mas os controles são sensíveis demais, principalmente depois de andar com os carros ou caminhões. A variedade de veículos é outro ponto positivo: com 30% do jogo completo já pilotei até submarino e guindaste de porto. Surreal!

Voltando aos carros: um dos problemas é que não importa o quanto você bata ou a velocidade em que você ande, jamais vai aparecer a polícia para te encher o saco. Obviamente, caso você folgue em frente a uma delegacia será perseguido, mas não é o caso nas CNTP do jogo. A polícia geralmente só aparece nas missões oficiais ou quando você mata alguém deliberadamente, não do nada quando você só está curtindo a estrada a 300 km/h. Talvez eu ainda não tenha tocado caos o suficiente em Los Santos para que eu seja caçado impiedosamente pelos defensores da moral e dos bons costumes, mas também não sei se era assim nos outros jogos da série.

Grana

Algo que me agradou muito foi a questão do dinheiro – com algumas missões você consegue tranquilamente sobreviver sem maiores percalços, fazendo aulas de tênis, pagando o psicólogo (sacana do caralho), indo ao cinema, comprando roupas, mudando o corte de cabelo ou fazendo seja-lá-o-que-você-queira. Uma das missões principais te dá uma grana lascada que dá para comprar uma propriedade e ter um lucro semanal razoável, te deixando sem preocupações sérias. Claro que se você quiser tunar seu carro vai ter que desembolsar um dinheiro, mas isso é luxo e não é necessário para o andamento de GTA V.

Michael, Franklin e Trevor

O jogo traz a realidade de três personagens completamente diferentes: Michael, um cara de meia-idade infeliz que sofre com uma família tosca; Franklin, um negro do subúrbio que lida com parentes idiotas e drogados e tenta sair daquele lugar; e Trevor, um doente completo que mata pessoas sem a menor cerimônia. Isso é bom, dá um dinamismo ao jogo, que não fica monótono em nenhum momento. Minha única ressalva é com Trevor. Sinceramente, você ser obrigado a torturar uma pessoa é um demais e cruza qualquer limite de bom senso. É muito agoniante arrancar os dentes de alguém, ou bater com uma chave inglesa gigante no joelho do cara. Não que o jogo seja formado por anjos, mas há uma diferença brutal entre roubar um carro e torturar uma pessoa. É um ponto que não gostei nada no jogo.

O mais engraçado, para mim, é Franklin. O jeitão de falar é bem estereotipado, cheio de gírias, mas as discussões que ele tem com os amigos são divertidas. Michael já é um personagem mais sacana, que quer te fazer sentir dó dele porque a vida lhe deu dinheiro e também dois filhos imprestáveis e uma mulher traidora. São três personagens distintos, mas que têm pontos em comum (não quero spoilear tudo, logo, jogue aí).

Parecer: o preço é salgado (R$ 200), mas vale a pena. Diversão garantida por muito tempo, o jogo é extenso e não fica repetitivo – estou jogando bastante há uma semana e só estou com 30%, fora as missões paralelas. A variedade, tanto dos personagens quanto de coisas para se fazer, é boa e dá dinamismo ao game.

PS: Atentem para este vídeo compartilhado pelo amigo Rodrigo Trindade:

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Piano, verbo transitivo direto

Piano, verbo transitivo direto. Não, meu caro leitor, não te confundas com o substantivo piano, usado para designar o instrumento musical com 88 teclas, feito com cordas percutidas por martelos revestidos de feltro. Piano é a palavra mais doce, mais afetuosa e delicada para expressar o sentimento mais belo que existe.

Self Portrait #1 by Renoir.jpgSe alguém olhar nos teus olhos e disser: ‘Piano’, não estranhes. Sinta-te feliz e usufruas o momento, como se fosse o mais importante de tua vida. Não é todo dia que te dirão ‘piano’, por isso, quando o fizerem: deleita-te. Há muito tempo não me dizem palavra tão doce, tão afetuosa e agradável aos ouvidos e ao espírito. Não me queixo, nem lamento. Apenas nobres de alma conseguem usar a palavra em seu significado mais puro.

A lenda é tão antiga e há várias versões, mas o que dizem é que a expressão era usada por um senhor de um povoado distante. Senhor, aliás, bastante inteligente, como poucos se viu. Havia quem desejasse seu saber. Tentaram roubar-lhe a casa, sequestrar os filhos, porém como a inteligência não é algo que se possa tirar, todas as tentativas foram frustradas. Era um físico e, como físico, era racional. Vivia a pensar. Vivia a ensinar. Vivia a aprender.

Aprendeu que afetos devem ser expressados e encontrou a sua maneira de fazê-lo. ‘Eu te amo’ era muito comum, usual, banal. Estava na boca de todos, estava em línguas estranhas, era dita em povos distantes, em povos desconhecidos. Além disso, ele tinha medo, talvez vergonha de falar ‘eu te amo’. Encontrou palavra melhor, palavra que só ele conhecia o valor, palavra que para ele tinha um significado muito maior e mais intenso do que o usual ‘eu te amo’.

Quando já velhinho, com os cabelos grisalhos e os netos crescidos, o físico estava em seu leito de morte. Os entes queridos tentaram ajudá-lo de toda a forma, chamaram o padre, o curandeiro, qualquer um que pudesse contribuir. Quando se viu, era tarde, o último sopro de vida levou o velhinho embora. O ‘eu te amo’ ficou entalado na garganta de quem tentava salvar o senhor do sono eterno. Naquele momento ficou o desejo e a vontade de gritar ‘piano’.

Memórias de um aprendizado

Algum tempo hesitei se devia abrir minhas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Lembrei que, como já bem disse Brás Cubas, é bastante vulgar começar um relato pelo nascimento. Para não copiá-lo e arrumar encrencas com um defunto autor, decidi começar pelo momento em que aprendi a escrever, por minha entrada na vida escolar. Nada mais justo que iniciar estas linhas contando minhas primeiras experiências com a escrita e com a leitura. Afinal, sem a língua portuguesa, eu não seria a mesma: não me comunicaria e provavelmente estas linhas jamais seriam escritas.

Claude_Monet_-_Springtime_-_Walters_3711Dito isto, voltemos ao ano de 1900. Na primeira segunda-feira do mês de fevereiro, acordei às 6 horas, inacreditavelmente sem despertador tocando, pai ou mãe chamando. Um acordar espontâneo. Talvez fosse a ansiedade, a vontade de conhecer novas situações, novos desafios. Com quatro anos, tudo é novo, tudo é divertido. Acresce que fazia sol, um dia lindo, céu azul, pássaros cantando, parece que aquela manhã acompanhava o espírito alegre da menina. Abri os olhos e pensei: “Hoje é o grande dia”. Com a curiosidade inocente de uma criança, pensava: “Como será que é? O que farei lá?”. Levantei da cama, saí do quarto e fui com os pés descalços em direção à cozinha encontrar com meus genitores. Lá estão eles, como eram jovens, os cabelos pretos ainda nem imaginavam que o tempo os embranqueceria. Minha mãe preparava o café da manhã: esquentava o leite para fazer o achocolatado. Na mesa da área de serviço, meu pai encapava com um plástico azul os livros remanescentes que ainda não estavam prontos.

O tempo apagou detalhes mais precisos. Já me vejo no colégio. No imenso – digo imenso, pois era uma criança e para elas, tudo no mundo dos adultos parece demasiadamente grande – portão de entrada verde, um guarda recepcionava os novos alunos. Com chapéu na cabeça, ele se apresentou: Noé. Na pureza do pensamento, logo associei o nome ao Papai Noel. Adorei o Seu Noé. Como era o primeiro dia, meus pais puderam me acompanhar até a sala de aula. Era um espaço grande, várias crianças já estavam sentadas, aguardando o início do ano letivo para o Jardim II. A professora Luciana e suas duas ajudantes me receberam. Meus pais tinham que ir embora. Não achei que fosse daquela maneira. A imaginação me dizia que os pais ficariam no fundo da sala acompanhando e observando tudo. Não repares, leitor, é ingenuidade de criança. Mas não rias, pois esqueces que também foste criança e que tiveste pensamentos semelhantes. Confesso que as lágrimas começaram a cair de meus negros olhos. Meus pais partiram, deixando o consolo do retorno ao final da manhã.

Logo o choro se transformou em um sorriso simpático. Não ouso dizer belo sorriso, pois aos quatro anos, os dentes de leite caem e deixam espaços para o nascimento de seus substitutos. Simpático cai melhor. Fiz amigas: a primeira foi Karla, com K. Até hoje, quando uso a letra “k” lembro dela. Não que tenhamos conversado sobre letras no primeiro dia. Não, pintamos, brincamos com lápis, canetinhas coloridas, giz de cera. Daí para o caderno de caligrafia foi rapidinho.

Sempre quis estudar naquele colégio, antes mesmo de saber que o lugar era uma escola. Da janela do carro, olhava aquele muro alto e as árvores que o cercavam e ficava fascinada. Toda vez que passava por lá, o intrigante muro silenciosamente me fitava e escondia a realidade das casas beges que ocupavam todo o quarteirão. Eu perguntava:

– O que é isso, mãe?

– É uma escola. – respondia ela.

O que era uma escola eu não sabia. A única certeza que eu tinha era que aquele local seria importante para meu desenvolvimento. Este é o início de uma confissão de amor que resgata um momento inesquecível de minha vida. O resto? Pergunta o leitor curioso. O resto não vou narrar agora, quero saborear esta minha primeira experiência com o aprendizado.

Pré-vendas no Brasil?

Um dos jogos mais aguardados dos últimos tempos, Grand Theft Auto V (GTA V) começou a ser vendido hoje em diversas partes do mundo, como Estados Unidos e Europa. No Brasil, o jogo será comercializado oficialmente a partir de quinta-feira, dia 19.

Como tenho interesse, fui atrás de algumas lojas online para ver quanto sai e, o mais importante, quando chega. Minha primeira reação foi uma decepção tremenda ao ver os seguintes prazos de entrega para o mesmo CEP em São Paulo:

O único prazo animador foi o da Saraiva, que dá dois dias úteis para a chegada do pacote:

gta-3

Enquanto isso, dei uma rápida olhada em fóruns gringos e adivinhem…

Exatamente. Os caras estão recebendo no dia do lançamento, sem nenhum tipo de problema. Como você pode ver, o sujeito britânico até trackeia o carro que está com a encomenda dele e dá o tempo estimado para o cara chegar lá com o pacote. É tão surreal que eu mal consigo acreditar.

Mas enfim, eu tentei pensar em alguma desculpa para que a entrega aqui fosse tão lenta e demorada e não consegui achar nada plausível. Talvez a possível greve dos Correios? Ou eles colocam esse prazo longo para evitar chiadeiras dos consumidores se o jogo não chegar em um ou dois dias? Por pura incompetência mesmo?

Se for a segunda opção, me expliquem: qual é o sentido de comprar na pré-venda? Ganhar um pôster? Sério mesmo? Achei que a vantagem era ter o jogo sem precisar se deslocar até a loja no dia do lançamento.

Esse sistema está todo furado ou eu não estou enxergando algo muito óbvio aqui?

E os novos iPhones, hein?

Para quem estava em uma caverna e não ficou sabendo, a Apple realizou na tarde desta terça-feira um evento para anunciar os novos modelos de iPhone e também para falar do iOS 7, o sistema operacional da empresa que roda nos seus aparelhos móveis.

iphone

Este post no The Verge resume bem o que foi o evento. Na minha opinião, a Apple vem deixando a desejar nos smartphones desde a transição do iPhone 4S para o iPhone 5, quando, basicamente, a tela aumentou, decepcionando muitos fãs. No evento de terça, a empresa apresentou como verdadeiro diferencial o Touch ID, um sensor capaz de capturar impressões digitais através do botão home do iPhone 5S, o ‘high-end’ da companhia. Apesar desse recurso já existir no Motorola Atrix, acredito que houve melhora tanto no processo de captura quanto na utilização desta função para destravar o telefone e comprar aplicativos.

Além disso, a Apple anunciou um novo chip, o M7, que é exclusivamente destinado a processar dados referentes à geolocalização do aparelho, acelerômetro, giroscópio e outros recursos desse tipo. Essa funcionalidade deve aliviar um pouco a carga da bateria, que ficou um pouco maior nesta geração, à custa da espessura do aparelho. Eu nunca liguei muito para esse tipo de aspecto, já que não vejo como milímetros podem fazer uma pessoa desistir da compra de um smartphone.

No entanto, tirando isso, o mesmo de sempre: câmera melhor, processador mais rápido… Tudo que já sabemos. E, convenhamos, você não vai rodar um jogo pesadíssimo na maioria do tempo em que usar o smartphone. Entendo que para os desenvolvedores isso amplia as possibilidades, mas para o usuário final, pouco importa, já que a maioria das tarefas que ele realiza no aparelho são satisfatoriamente velozes, ou alguém sofre com lag para abrir o Facebook em um 4S, por exemplo?

Mas o que mais me deixou chateado foi que eles voltaram a fazer o que fizeram com o iPad 3: lançaram um intermediário para “tapar o buraco” e logo depois anunciaram um aparelho novo. Sim, eles descontinuaram o iPhone 5. Mas eles continuam vendendo o 4S, o anterior. O 4, naturalmente, foi descontinuado nessa transição, pois era o próximo da fila. É complicado fazer isso com o consumidor, que comprou o produto há menos de 1 ano e vê que ele não será mais vendido. E não é um aparelho barato, ainda mais no Brasil.

Por falar em preço, eles já foram divulgados: US$ 99 para o iPhone 5C básico de 16gb com dois anos de contrato e US$ 199 para o 5S de 16gb também com o contrato. As versões “avulsas” dos aparelhos saem por US$ 549 e US$ 649 (o 5C não tem 64gb) e US$ 649 a US$ 849 para o 5S.

O “avulso” mais caro sairia, no Brasil, por R$ 1.943,11, se fosse o mesmo preço. Obviamente isso não acontecerá, já que os impostos e as operadoras jogam o preço final no céu. Aposto que o mais caro será vendido em torno de R$ 3.600 (5S), e as versões mais baratas em torno de R$ 1.800 (5C).

Se temos uma boa notícia é que alguns modelos do aparelho funcionarão com a frequência do 4G brasileiro. Porém, eles não serão vendidos nos EUA, apenas na França, na Alemanha, no Reino Unido, na Austrália, na Nova Zelândia, na Coreia do Sul, em Hong Kong e em Singapura. Além de pagar o preço do aparelho, você terá de desembolsar uma quantia a mais para viajar a esses lugares, que costumam ser mais caros, tanto pela distância quanto pela moeda local.

Eu, sinceramente, não me senti compelido a comprar essa nova leva de iPhones. Eu quero mesmo é ver o iOS 7, que deve chegar no dia 18 de setembro. Obviamente esperarei alguns dias vasculhando por aparelhos com bugs e essas coisas que geralmente acontecem quando todo mundo começa a baixar ao mesmo tempo. Já que a inovação no hardware não foi lá muito drástica, quem sabe eles compensem isso no software, que exigirá algum nível de adaptação dos usuários. Podem esperar muita chiadeira no início.

Esse tal do ‘green washing’

Tem muita gente por aí quer ser “verde” ou simplesmente passar a impressão de que é preocupado com o meio ambiente e com as gerações futuras. Mas nem sempre a bandeira verde é necessariamente uma consciência, muitas vezes é puro marketing. É difícil saber se o alimento realmente é orgânico ou não, se a embalagem de determinado produto não agride o meio ambiente ou se no processo de produção não houve nenhum tipo de trabalho escravo. É difícil estar diante de uma prateleira de um supermercado, com dezenas de opções saltando para o seu carrinho, com propagandas apelativas, e avaliar todas essas informações. Será que estamos sendo enganados? Será que a empresa é correta?

O Brasil é um dos países que menos pratica Green Washing, pelo menos, de acordo com dados de uma pesquisa realizada pela Market Analysis. O país também aparece em terceiro lugar quando o assunto é consumo consciente.

Dados de 2012 da pesquisa Greendex, realizada pela National Geographic indicam que o Brasil é o terceiro em consumo consciente, em uma lista de 17 países, entre eles EUA, Canadá, França e Espanha. Nosso país só fica atrás de Índia e China, que tiveram notas de 58,9 e 57,8, respectivamente. A nota brasileira ficou nos 55,5. Ainda falta muito, contudo, para chegar no nível máximo de cem.

É no mínimo de se estranhar que países com péssimas condições sociais, trabalhistas e de baixa qualidade de vida, como Índia e China, sejam líderes quando o assunto é consciência ambiental. Talvez eles encabecem o ranking, porque o índice considera principalmente aspectos como transporte, moradia, alimentação e bens.

Outra pesquisa que corrobora para indicar que o brasileiro não se deixa levar por mensagens como “mais econômico”, “zero gordura trans” foi feita em parceria pelo Idec e pelo Market Analysis, no começo deste ano. Sobre as mensagens que indicam que a empresa se preocupa com o meio ambiente, 60% das 900 pessoas ouvidas disseram ficar com a pulga atrás da orelha.

greendex

É preciso sim desconfiar, ser um consumidor crítico e questionar empresas e autoridades. Complicado ser um consumidor consciente? No site da National Geographic há um questionário que ajuda a calcular o seu nível de engajamento. O meu ficou em 71. Infelizmente não consigo consumir alimentos que eu mesma produza e não tenho painéis solares para aquecer a água, por exemplo. Por outro lado, compenso em ações menores, como lavar a roupa com água fria, evitar usar o carro quando posso sair a pé ou preterir produtos com embalagens excessivas. Faça o teste e não deixe de praticar ações conscientes! E se você notar que alguém está praticando green washing, já conhece a música:

On veut du green green green green green green washing

Queremos o green green green green green green washing

On veut des tours d’avion, des airbus, du diesel

Queremos passeios de avião, airbus, diesel

Des mandarines toutes les saisons, des grands voyages dans le ciel

Tangerinas em todas as estações, grandes viagens no céu

Du high tech à la maison, de la nouvelle technologie

Tecnologia de ponta em casa, a nova tecnologia

On veut pouvoir dire pardon et soulager son esprit

Queremos poder dizer perdão e aliviar o espírito

On veut d’la viande d’argentine, d’la bidoche à tous les repas

Queremos carne argentina, carne em todas as refeições

De la world food dans la cuisine, on veut du sucre, on veut du gras

A comida mundial na cozinha, queremos açúcar, queremos grama

On veut moins cher, on veut meilleur, on veut toujours un peu d’ailleurs

Queremos mais barato, queremos melhor, queremos sempre um pouco de outro lugar

On veut la mer, on veut l’été même en hiver on veut bronzer

Queremos o mar, queremos o verão mesmo no inverno, queremos nos bronzear

On veut du green green green green green green washing

Queremos o green green green green green green washing

C’est nous les as, les pinocchios du marketing

Nós somos os aces, os pinocchios do marketing

On veut du green green green green green green washing

Queremos o green green green green green green washing

On cache les galets sous le sable, on veut des plages de sable blanc

Procuramos as pedras da praia sob a areia, queremos praias de areia branca

Du réseau pour nos portables, on voudrait quatre barres tout le temps

Rede para nossos celulares, gostaríamos de quatro barras o tempo todo

Des orgies raisonnables, des grands échangeurs de béton

Orgias razoáveis, grandes trocadores de concreto

Et des amis toujours joignables, on veut des baleines et du thon

E os amigos sempre acessíveis, baleias e atum

On veut de l’eau toujours qui coule et des rides un peu moins creusées

Queremos que a água sempre flua e as rugas um pouco menos acentuadas

On veut de la jeunesse en poudre et puis de la neige en été

Queremos a juventude em pó e depois a neve no verão

Des grands buildings sous le soleil, des monuments pharaoniques

Os edifícios acima do sol, grandes monumentos faraônicos

On veut partout partout pareil, de la wifi, du numérique

Queremos tudo parecido em toda a parte, o wifi, os números

On veut du green green green green green green washing

Queremos o green green green green green green washing

C’est nous les as, les pinocchios du marketing

Nós somos os aces, os pinocchios do marketing

On veut du green green green green green green washing

Queremos o green green green green green green washing

On veut des lessives sans phosphates, des shampoings tout organiques

Queremos detergentes sem fosfato, todos os xampus orgânicos

Et des forêts pour nos 4×4, du charbon dans nos cosmétiques

E as florestas para nossos 4×4, carbono nos nossos cosméticos

Des slogans abusifs, plus blanc que blanc, plus vert que vert

Os slogans abusivos, mais brancos que o branco, mais verdes que o verde

Mascarade écologique pendant qu’on s’shoote au nucléaire

Máscara ecológica enquanto arremessamos o nuclear

On veut du green green green green green green washing

Queremos o green green green green green green washing

On veut du green green green green green green washing

Queremos o green green green green green green washing

On veut pouvoir dire pardon et soulager son esprit

Queremos poder dizer perdão e aliviar o espírito

On veut du green green green green green green washing

Queremos o green green green green green green washing

On veut la mer, on veut l’été même en hiver on veut bronzer

Queremos o mar, queremos o verão mesmo no inverno, queremos nos bronzear

On veut du green green green green green green washing

Queremos o green green green green green green washing

On veut des baleines et du thon

Queremos baleias e atum

On veut du green green green green green green washing

Queremos o green green green green green green washing

C’est nous les as

Nós somos os aces

On veut du green green green green green green washing

Queremos o green green green green green green washing

Especialistas em tudo fazem bem ao jornalismo?

Sempre que alguma questão polêmica surge ou que alguma derrota atinge times ou seleções, algumas pessoas aproveitam o momentum para destilar todo seu “conhecimento” sobre os respectivos assuntos, vomitando pelos dedos e cagando regras. O fato da vez da noite da terça-feira foi a eliminação da seleção masculina de basquete na Copa América, que dá vaga para o Mundial da modalidade na Espanha.

Seleção Basquete

Nem mesmo o último arremesso tinha caído na cesta e já apareciam os paladinos da justiça no Twitter reclamando do técnico, da confederação e dos jogadores que escolheram não disputar a competição e deram preferência para a NBA. Toda essa vociferação de gente que, assim como eu, não sabe as diferenças nas regras do basquete Fiba para o basquete NBA. Pessoas que nunca na vida assistiram a uma partida de basquete inteira. Gente que não acompanha os torneios e não sabe quem são os jogadores. A mesmíssima coisa acontece a cada quatro anos com o futebol feminino.

Quero deixar bem claro aqui que dar sua opinião é uma coisa, mas bancar a autoridade no assunto é outra totalmente diferente. Escrever “realmente, a seleção jogou muito mal e deu o maior vexame contra a Jamaica. Imagine, perder para a Jamaica em algo que não seja consumo de maconha ou provas de velocidade no atletismo” é só preconceituoso, mas é sua opinião. Agora, dar uma de sabichão e dizer “nossa, mas esse Magnano, hein? Que técnico fraco, sem pulso. Não consegue motivar os jogadores, que pareciam um bando em quadra, sem formação tática.” Peraí, você sabe algo de tática de basquete? Marcação por zona ou individual? Já viu um treino de basquete? Então segure a empolgação, porque você está falando sem o menor conhecimento do assunto. Assim até eu falo de golfe: “Mas esse Tiger Woods, hein? Umas tacadas sem equilíbrio nenhum. Três acima do par? Pfff, está acabado…”

Outro dia, alguém disse que o atacante Aubameyang, francês que joga pela seleção do Gabão, fez o que era de se esperar na estreia dele pelo Borussia Dortmund pelo campeonato alemão: três gols. E que não era uma surpresa para quem o acompanhava no Saint-Etienne, seu ex-time. Ah, peraí… Sujeito nunca disse uma palavra sequer sobre o jogador. O cara estourou na estreia, sim. Surpreendeu positivamente, sim. Mas… calma! Uma rápida olhada na artilharia do campeonato mostra que ele não marcou mais nenhum gol depois da estreia. Na data deste post, o campeonato alemão estava na 4ª rodada. A média é excelente sim, mas fazer um estardalhaço, só faltando dizer que era o “Pelé gabonês”, é demais. Vamos lembrar que até Zé Eduardo começou artilheiro no Santos. Depois…

Novamente: não é querer impedir ninguém de falar de nada, mas acredito que essa atitude de sabe-tudo, de especialista em qualquer coisa faz um mal danado ao jornalismo. Precisamos de pessoas especializadas naquilo que fazem para que tenhamos matérias realmente boas não só nos esportes, mas também em outros setores como economia e política. Já imaginou o Tiago Leifert numa conversa com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para falar do Plano Real? Então calcule o nível de uma conversa entre Merval Pereira e Alex, do Coritiba.

Ambas resultariam no desastre total e absoluto (a segunda menos que a primeira, certamente). Nenhuma informação concreta e nenhum questionamento sairia disso. Se o entrevistado mentisse, o entrevistador jamais saberia confrontar porque não é do meio e provavelmente nem perceberia a mentira deslavada no ato. Claro que uma pesquisa prévia ajuda, e que, se preparados, eles poderiam fazer a tal entrevista. Mas, convenhamos, isso é bem diferente de ficar chiando no Twitter como se soubesse todos os males que afligem o basquete nacional. O pior é que muitos são jornalistas e soltam pérolas de dar vergonha depois. Não é assim que as coisas se resolvem. Eu aposto que a confederação tem muitos problemas, que o técnico tem seus defeitos, mas não ouso falar nada pelo simples fato de não acompanhar o esporte além de uma partida ou outra da NBA.

O pior é que os jornalistas (nós) podem tentar mudar a situação fazendo matéria sobre os males do basquete, as condições das quadras, da preparação dos atletas, das possíveis falcatruas da confederação… Mas isso ninguém quer. Quando ganha, está tudo bem, tudo é maravilhoso: temos reposição para os jogadores da NBA, o técnico é um cara trabalhador e a confederação investiu. O importante é chiar no Twitter só quando perde para parecer antenado e por dentro de tudo, provendo um falso conhecimento ao leitor. Isso não leva a nada e não gera conhecimento ou solução alguma para o esporte (ou o assunto) em questão. É só pavonice.